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Hiatus irrationnalis

Coisas, que escorra em vós o suor ou a seiva,
Formas, que nasça em vós da forja ou do sangue,
Vossa torrente não é mais densa que meu sonho,
Se eu não pulsar em vós um desejo incessante,

Eu atravesso vossa água, tombo sobre a areia
Onde estendo o peso de meu demônio pensante;
Só ele se bate no duro solo onde se eleva o ser,
O mal cego e surdo, o deus privado de sentido.

Mas, logo que todo verbo pereceu na garganta,
Coisas que jorrem do sangue ou da forja,
Perco-me, Natureza, no fluxo de um elemento:

Aquilo que em mim eclode, o mesmo vos excita,
Formas, que escorra em vós o suor ou a seiva,
É o fogo que me faz vosso imortal amante.

 

* O soneto traduzido livremente por Solange Rebuzzi em 13/04/01, foi escrito por Jacques Lacan em 6 de agosto de 1929. Publicado em 1977 no Magazine Littéraire n. 121, em uma versão um pouco diferente.

 

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