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Germinações

Tradução de Ana Lía Torre

 

Para Raduan Nassar

a mão que eu agarrava
não tinha verbo
não tinha alma
era um pássaro morto

sustentava-se no milagre
de um corpo imerso
no sono.

Para Raduan Nassar

la mano que yo agarraba
no tenía verbo
no tenía alma
era un pájaro muerto

se sostenía en el milagro
de un cuerpo sumergido
en el sueño.

 

Germinação

No começo, o traço.
Jorra força a água
no verde
que brota.

Qual a duração da permanência?

Germinación

Al principio, el rasgo.
Chorrea fuerza el agua
en lo verde
que brota.

Cuánto dura la permanencia?

 

Cotidiano

A cada manhã
o mesmo rosto.
No escuro da cama
a verdade das mãos.

Lamber os lábios
após o gole de café
como quem degusta chocolate.

Ele não tinha mais
os beijos sonoros
da infância.

Cotidiano

Cada mañana
El mismo rostro.
En la oscuridad de la cama
la verdad de las manos.

Lamer los labios
tras el sorbo de café
Como quien paladea el chocolate.

Él no tenía ya
los besos sonoros
de la infancia.

 

Cavalos

Cavalgam a terra
de pedra e cascalho
os habitantes do Castelo
de outrora

Grandes e diferentes
apenas no nome
os cavalos do senhor K
não não são estranhos.

Do lado de fora do quarto
estava frio
A neve na janela
perambulava

Qualquer pincenê
podia tapar-lhe os olhos
as narinas respiravam
com dificuldade

Olga um pouco de lado
lembrava uma pintura
renacentista
mas aquela mulher podia ser outra qualquer

Aliás agora qualquer riso
é supérfluo
Ruídos de sono acordam a memória
Pela fresta
procuro respirar o século que passa
(eles não mais trotam!)

Caballos

Cabalgan la tierra
de piedra y pedregullo
los habitantes del Castillo
de antaño

Grandes y diferentes
sólo en el nombre
los caballos del señor K
no, no son extraños.

Afuera del cuarto
estaba frío
La nieve en la ventana
deambulaba

Cualquier pince-nez
podía taparle los ojos
las narinas respiraban
con dificultad

Olga, un poco de perfil
recordaba una pintura
renacentista
pero esa mujer podía ser cualquier otra

Inclusive ahora cualquier risa
es superflua
Ruidos de sueño despiertan la memoria

Por el resquicio
trato de respirar el siglo que pasa
(ellos ya no trotan!)

 

Ana Lía Torre Obeid é argentina, professora em Letras pela UNLP (Argentina) e Mestre em Teoria Literária pela PUC de Porto Alegre. Traduziu, organizou e prefaciou para o espanhol uma Antologia poética da obra de Affonso Romano de Sant'Anna, bem como poemas de Camões, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e contos de narradores brasileiros contemporâneos.

Traduções efetuadas para o Festival Internacional de Poesia de Rosário. Argentina, 2005.

 

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