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Seção com textos da coluna da autora no Portal Cronópios, e outros escritos.

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Um louva-deus flutua

Um louva-deus flutua sua asa dupla acima das águas turvas do lago.
A chuva havia mexido com os habitantes da águas sem deixar dúvida de que o dia seria ensolarado.
Ela passeia procurando qualquer vestígio do verso na natureza desnudada da manhã.
Na verdade, persegue as ausências que assombram os movimentos em momentos inesperados.
Foi ali que, um pensamento surgiu na cabeça dele:
- Você sabe que às vezes pode fazer parte da paisagem, não sabe?
- Ela não respondeu, mas sentiu-se estranha.
Ele ainda sério retrucou:
- A língua que nos move levanta mistérios.
- Você hoje quer filosofar. Mas, nem sempre a dúvida alimenta.
- Eu sei. Observe o louva-deus. Veja como ele passeia parado.
- Quando eu era pequena gostava de pensar que ele imitava o helicóptero. Depois percebi que devia ser o contrário!
- Por onde caminhar para fazer parte da paisagem?
- Não tenho a menor idéia, mas se você descobriu me conte logo!

Ele ainda pensou em montar uma charada, mas desistiu.
E disse de repente:
- Na memória.
Depois ficou em silêncio total durante o resto da caminhada.

Ela flutuou por lugares esquecidos sem se preocupar com ele, que permanecia ali ao lado.

 

Rio, 20 de abril de 2003.
Texto escrito para o livro Pequenos escritos de abril

 

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