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Seção com poemas dos livros: Contornos (1991), Canto de sombras (1997), Pó de borboleta (2002), Leblon, voz e chão (2004), além de alguns inéditos em livro.

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Vacas sem pasto

1.     Há vacas e s p a l h a d a s
na cidade do Rio de Janeiro
neste final de 2007 

VACAS
            Coloridas
               Surrealistas
                  Ocas 

Plantadas nas calçadas
elas expressam o mundo e o vazio do mundo
(de tetas secas)

 

2.   Há ainda a arquitetura de montanhas e de marés em ângulos abertos
no olhar que percorre em passeio as formas das coisas e dos objetos 

Uma tulipa de chope gelado
um-copo-de-água-de-coco
:
respiração nas artérias da cidade
primavera-verão

 

3.  O corpo gordo das vacas gordas 
sentadas ou de pé        
suspendem o homem ignorado 

Nada          

           O que faz falta nos hospitais e nos recantos das ruas onde nossas  crianças cagam
sobra no colorido destas vacas
O leite – estragado – que a vigilância sanitária não alcança
as vacas testemunham com o que não cessa de nos surpreender
(seria o riso se não fosse o trágico)!

 

4. Há os restos desta exposição de vacas nas praias e nas calçadas                        

                                  Vacas brancas
                                     Verdes
                                        Azuis
                                           Vacas vagas proliferam     

A cidade sem limites na “luciferação” deste momento carioca!

 

Texto publicado no Portal Cronópios, na coluna da autora; Nas dobras da língua.

 

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Manutenção e desenvolvimento: Rafael Caterina
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