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Seção com poemas dos livros: Contornos (1991), Canto de sombras (1997), Pó de borboleta (2002), Leblon, voz e chão (2004), além de alguns inéditos em livro.

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Posfácio de Leminski, guerreiro da linguagem

1. “Uma carta é uma brasa...”

Meu caro Leminski,

Sinto dizer
vamos chegando ao fim,
final de ano,
e final de lavoro
Foi um enorme prazer conhecê-lo
assim tão fora do esperado
do cotidiano
Sem poder dizer nada
que não seja pela escrita
Tendo que esperar meu texto
ir nascendo
meio sem jeito
“gauche na vida”
Poeta,
nesse mundo sem silêncios
cada dia mais você faz falta
Imagine que agora
o homem resolveu,
além de todos os riscos,
viver sem ética
Fico me perguntando
o que as palavras
vão poder nos dar
Suas cartas
me chegaram quentes,
sem pudor,
às vezes enigmáticas,
perseguindo a lucidez
da linguagem
Reconheci você
fabbro, fazedor
guerreiro
em estado xavante
“samurai-malandro”
Indagando na troca linguageira
persegui a letra
na margem esquerda
da página
Agradeço!

Nas cartas-poemas
inúmeros elementos
nada que não seja
um aberto rolar
do pensamento
Mas, devo me despedir...

Finalizo esta carta
com as suas palavras:
“viver exige muitos hai-kais”!

Abraço da Solange
P.S. “mais fácil é mandar mil beijos”...

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2001.

 

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