Seminário sobre o poeta Antonin Artaud
Professora: Evelyne Grossman
Na sala retângulo do andar térreo de Paris 7 acontecem os seminários de poesia bastante procurados pelos alunos de muitos países. Assisto-os como ouvinte. Faço notas e permaneço intrigada com a diversidade do público. Em alguns seminários tenho encontrado os filósofos, os poetas, e os alunos dos cursos regulamentares, ao lado dos ouvintes de línguas as mais distintas.
As aulas são semanais e intensas.
Algumas notas em 18 de abril de 2005:
Vamos falar do que Deleuze chama “Le plie”, a dobra.
“Plie” é movimento incessante do que se deforma. E vem contra a linha direta, na perspectiva clássica. E vamos trabalhar um texto.
Logo no primeiro capítulo, “Le plie de la matière” de Deleuze, a modificação é a idéia de “curva”, uma série de “déclinaisons”, declinações.
A questão de Deleuze é como levar ao infinito a dobra. Para ele o barroco é o movimento e a força.
O barroco é um mundo de micro percepção, pois não cessa de se fazer e se refazer (percepções pequenas que desequilibram a macro percepção anterior e prepara a seguinte).
O estado de inquietude, no sentido etimológico de termo, é o que faz trabalhar. É isso que nos convida a ler, de outra forma, com a pequena percepção. Assim buscamos trabalhar na inquietude, como método de leitura.
Mas, como fazer o movimento?
E Deleuze faz a mis-en-modulation de la langue (escrevemos como ele para dar e traçar as “lignes de fluite”).
Artaud com as sílabas inventadas, procura a pulverização das palavras, as pequenas percepções, as micro percepções.
Artaud fez “glisser” a língua de um nome ao outro, em movimento infinito, em torção. Por ex. as torções da língua de suplice à publique.
Artaud usa as torções para trabalhar, usa o barroco sem as preciosidades, sem os maneirismos. Usa a força de perturbação, o risco.