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Lembro-me que escolhemos caminhar no Parc Montsouris.

 

 

Silêncio.
Era preciso se despedir das árvores. Mas, não recordo a paisagem daquele dia. Olhei as brancas estátuas de pedra espalhadas pela grama verde. Distante momento, vivido na primeira grande Guerra, essas obras carregam. São como miragens.
Sempre permaneci silenciosa ao chegar bem perto dessas esculturas-escrituras. Os braços mortos e as cabeças pendidas daqueles homens altos e musculosos dão às folhas, já quase amarelas do outono, um ar morno e ao mesmo tempo  irreal. 

Sem deixar de percorrer os detalhes, ou apenas contornando-os, posso reconhecer algo das formas, as mais antigas, dos sonetos. E admirar no ritmo do trilho do trem R. E. R. que atravessa este parque, que as coisas não são só as coisas. Elas carregam muito mais.
Este ano voou. O  jardim nos apresentou o tempo todos os dias; variações de temperaturas e cores. Em reprise, no ar frio das manhãs de inverno, soprou em meus ouvidos restos de poemas.
E ainda soprou os tons dos riscos das bombas
espalhadas 
:

      

Pélouse en repos !
(Observamos casais e famílias, que se deleitavam na grama.  
Alguns precisavam partir respeitando a regra exigida pelos guardas: a de deixar a grama repousar ...)
Não é exagero constatar que  esta regra no parque Montsouris conta algo deste povo e de sua ética. 

 

 

Silêncio...
(pélouse en repos)

 

 

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