inéditos

poemas

Fragmentos de livros

Início » inéditos » Indianas

 

Indianas

1
Cinco mulheres em véus e sandálias de plataforma alta.
Verão. 

2
Eu não estava em Bombaim mas seus tornozelos tinham a tonalidade das pétalas de rosa, um pouco violeta. Corriam entre os carros assustadas.
Vislumbrei a calça jeans embaixo das dobras vermelhas da seda. Talvez, em função da maquiagem, da sensualidade do andar, eu tenha parado para olhá-las:
ritmo, perfume, cor...
Por um milagre elas surgiram. Foi como pude senti-las naquele longo boulevard Raspail. 

3
Um pintor teria dito:
parem!
Degas pintaria a idade de seus pés ou de suas mãos? Matisse, os volumes e as formas dos braços?  
Abro um parêntese.
Fui ao dicionário. Procurei, sem saber bem onde estava indo, a palavra rubra.
Precisava do vocábulo para justificar meu poema que atraía sementes.  

4
A “coisa” colorida. O vestido de uma Mulher pede para ser usado no plural, 
v e s t i d o s  de  M u l h e r e s. 

Há mais coisas a dizer.
Narinas abertas respiram o ar quase púrpuro da luz. 

Essas mulheres
na tela escritural,
não longe
umas das outras,
convivem com o final do dia.  

5

Sobrancelhas arqueadas
à lápis noir
turquesa – entre – os olhos
não menos que outras cores
sobre a pele brilhante.
Um piscar de movimento brusco
é uma possibilidade
no novo mundo
do texto,
e distingue o jamais visto.

 

Enfim me rendo! 

RUBRO – vermelho muito vivo; da cor de sangue.

 

 

 

^ topo

 

Manutenção e desenvolvimento: Rafael Caterina
© 2008 Solange Rebuzzi. Todos os direitos reservados.