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Formação de Escritores 2

 

 

Entrevista (via e-mail) com o poeta Armando Freitas Filho

Rio de Janeiro 14 de junho de 2006.

1. Em sua prática e trabalho com a palavra, como poeta e também como curador de poesia, como você vê a questão que se discute agora sobre um curso de formação de escritor e /ou de crítico literário nas universidades do Brasil? Há um curso que começou na Puc-Rio no ano passado, se não me engano, por iniciativa do poeta Paulo Henriques Britto, e um outro, que começa na Unisinos, com o também poeta Fabrício Carpinejar. 

Você acha pertinente existir um lugar ou um espaço para a formação do escritor e do agente literário na Universidade, no mundo de hoje?

Escritor de verdade não tem férias. Se é assim para que serviria uma faculdade? Não obstante, por que não? Desde que seja uma faculdade full time, voraz como uma vocação. Acho que bastaria, falando sério, que nos cursos de letras já existentes se fizesse um puxado, como nas casas ou uma laje, como nas favelas, para acomodar, mestres e alunos.

 

2. Na sua experiência de escrever poemas, primeiro à mão, e depois na máquina de escrever (inclusive título de livro: Máquina de escrever, poesia reunida e revista), ou diante da tela do computador, materialmente falando, de fato, parece ser importante em sua poética a mão que circula na errância da escrita. Como você pensa esta prática quando ela se pretende mais técnica e acadêmica?

Na verdade, sou mais artesanal ou neandertal: escrevo a mão, pezunhando, me "sujando". A máquina de escrever só entra muito depois. O computador, então, ainda está no limbo, quando componho. Ele é muito instável e leviano: apaga o erro, a rasura, sem dor ou remorso, tem memória curta. Em vista disso, só posso pensar com desconfiança sobre técnicas de qualquer espécie: academicas ou não. Soube que a Academia Brasileira de Letras vai dar seu aval ou coisa que o valha para essa faculdade do Fabrício Carpinejar, ele mesmo filho de acadêmico. Se for só a Academia é mau sinal. Deveriam ser chamados, em maior número, a meu ver, os que não pertencem a ela.

 

3. Em seus versos somos chamados a ler o ritmo e os movimentos da língua em trabalho com a letra. Você acha possível ensinar, em um curso que se proponha trabalhar formando poetas, essas delícias e delicadezas?

Na sua opinião há algum risco e/ou alguma vantagem em tal forma de ensino?

 “Essas delícias e delicadezas”, que você me atribui e que eu, sinceramente, duvido da qualidade delas, quase sempre, vão aparecer ou não, conforme o talento de cada um. No que diz respeito ao “risco” e a “vantagem”, quanto maior a dosagem do primeiro e menor a taxa da segunda, melhor.

 

Entrevista (via e-mail) com o poeta Régis Bonvicino

Rio de Janeiro, 13 de junho de 2006.

1. Em sua prática e trabalho com a palavra, como poeta e também como editor da Revista de Poesia e Cultura Sibila, como você vê a questão que se discute agora sobre um curso de formação de escritor e /ou de crítico literário nas universidades do Brasil? Há um curso que começou na Puc-Rio, no ano passado, por iniciativa do poeta Paulo Henriques Britto, e um outro, que começa na Unisinos, com o também poeta Fabrício Carpinejar. 

Você acha pertinente existir um lugar ou um espaço para se exercitar a “formação” da escrita dentro da Academia, no mundo de hoje?

Apoio integralmente a iniciativa de cursos de escrita criativa porque o Brasil está entre os cinco piores países do mundo no ranking de interpretação de textos e tem uma educação pública precária. No mínimo, os cursos estão preparando leitores e abrindo fronteiras de remuneração aos escritores, que são maltratados no país pelo espúrio sistema editorial. Além disso, acho Paulo Henriques Britto, por exemplo, um cara sério.

 

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